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É que minha deficiência não está intrinsecamente ligada aos membros do meu corpo. cos, ontem eu me teletransportei ao som de Lana del Ray, atravessei espaços vazios preenchidos hipoteticamente com a sua presença - presença essa que não está mais nos traços dos meus olhos cansados de tanto derramar água em períodos irregulares de lugares infinitamente distintos que não fazem sequer parte das minhas fronteiras mal delimitadas. Meu bem, eu respiro e o ar não me é suficiente, aliás não sei bem o que mantêm meu corpo vivo, as pessoas me arrancam a essência . “Que nunca errou que atire a primeira pedra” Maria Madalena seria minha versão feminista, eu erro, eu erro, e as pessoas continuam apedrejar-me, como se eu fosse uma praga que merece ser exterminada antes mesmo de dar início ao envenenamento súbito da corrente sanguínea. Inícios, chegadas e partidas, o que faz eu acreditar na sua filosofia barata de esquinas, misturada com cigarros, bebidas e mulheres fedidamente incapazes de proporcionar gozos espaçosos e respirações ofegantes ? Eu estava na Augusta e decididamente me bateu um tesão por aquele cara meio retrô com ar de - pego todas e você será mais um - parado entre a banca de jornal e o semáforo de trânsito. Você diria que sou irresponsável, que os meus pés procuram brasa viva para manter aquecido os calos adquiridos na labuta diária de atravessar pontes de espinhos calçando um sapato dois dedos abaixo do tamanho dos meus pés. Mas eu digo que não. Eu corro, e você não está lá. Eu corro, e você não está lá. Eu corro e meus joelhos pedem por uma pausa, os meus dedos pedem por um repouso, o meu peito pede por um pouco dessa tua ignorância brutalmente apaixonante que deixa-me feito aquelas garotas de comédias românticas: tolas, desiludidas, enganadas por um sentimento leviano: AMOR. esse louco que chega de supetão, que não bate a porta antes de entrar, que transfigura a lucidez das pessoas que procuram outros corpos vazios que possam preencher a solitude de suas almas solitárias.
Para os loucos que amam, vos digo: amar é cometer suicídio com as próprias mãos.
- Vinicius Cinereo (via anuviando)
Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo…
- Carlos Drummond de Andrade
Tu eras a pessoa mais antiga que eu jamais conheci. Eras a monotonia de meu amor eterno, e eu não sabia. Eu tinha por ti o tédio que sinto nos feriados, O que era? era como a água escorrendo numa fonte de pedra, e os anos demarcados na lisura da pedra, o musgo entreaberto pelo fio d’água correndo, e a nuvem no alto, e o homem amado repousando, e o amor parado, era feriado, e o silêncio no voo dos mosquitos. E o presente disponível. E minha libertação lentamente entediada, a fartura, a fartura do corpo que não pede e não precisa.
- Clarice Lispector
Eu estou apaixonado por você, e sei que o amor é apenas um grito no vácuo, e que o esquecimento é inevitável, e que estamos todos condenados ao fim, e que haverá um dia em que tudo o que fizemos voltará ao pó, e sei que o sol vai engolir a única terra que podemos chamar de nossa, e eu estou apaixonado por você.
- A Culpa É das Estrelas. (via inverbos)
Foi de tanto disfarçar colocando vírgulas e reticências no lugar do ponto final, que minha história acabou ficando confusa e sem sentido.
- Thiara Macedo (sdpm)
Do amor
conheço os sintomas
e os hematomas.
- Paulo Leminski. (via 10reais)

en-levar-tei:

Vai demorar , vai doer… Mas um dia você vai ver que passou, que toda a dor foi valida, até parece mentira, mas um dia você percebe que até sofrer valeu a pena…  

-Enlevada-

Com meus dezessete, quase dezoito anos, eu já passei por muita coisa. Acho que já sei muito, gosto de fingir que entendo do mundo. Gosto de fazer poesia, brinco de escrever. Meu vocabulário é medíocre, mas por ele me expresso. Tenho medo, já levei muitas rasteiras da vida, porém sou jovem, e uma vez me contaram que quando você cresce, piora. Se eu tivesse um pedido, ia querer que o tempo parasse. Quero brincar de ser poeta para sempre. Quero continuar fugindo, enquanto me escondo das futuras decepções, da futura tristeza, da montanha-russa de emoções que a vida representa.
- Maria Fernanda Cury  (via segredou)
Quero sexo na escada e alguns hematomas e depois descanso numa cama nossa e pura. Quero foto brega na sala, com duas crianças enfeitando nossa moldura. Quero o sobrenome dele, o suor dele, a alma dele, o dinheiro dele (brincadeira…). Que ele me ame como a minha mãe, que seja mais forte que o meu pai, que seja a família que escolhi pra sempre. Quero que ele passe a mão na minha cabeça quando eu for sincera em minhas desculpas e que ele me ignore quando eu tentar enrolá-lo em minhas maldades. Quero que ele me torne uma pessoa melhor, que faça sexo como ninguém, que invente novas posições, que me faça comer peixe apimentado sem medo, respeite meus enjôos de sensibilidade, minhas esquisitices depressivas e morra de rir com meu senso de humor arrogante. Que seja lindo de uma beleza que me encha de tesão e que tenha um beijo que não desgaste com a rotina.
- Tati Bernardi.   (via segredou)
Aí o telefone tocou. Deixei tocar. Nunca atendia ao telefone na parte da manhã. Tocou cinco vezes e parou. Eu estava sozinho comigo mesmo. E, por mais repugnante que fosse, era melhor que estar com alguém, qualquer um, todos lá fora fazendo seus pequenos truques e piruetas. Puxei as cobertas até o pescoço e esperei. Decidi ficar na cama até o meio-dia. Talvez então a metade do mundo estivesse morta e ele seria menos difícil de enfrentar.
- Charles Bukowski.  (via calculei)
E você não sabe quantos sorrisos eu já dei só de pensar em você.
- Caio Fernando Abreu. (via contorcer)
Acho que é mais do que ausência: é falta. A ausência, mal ou bem, sempre está por perto e sabe se fazer presente. A falta, não. É saudade morta. Um buraco profundo, talvez uma cova infinita que só a terra jogada pelas suas mãos, ausentes, conseguem tapar.
-  Eu me chamo Antônio    (via promessasvazias)